
Por Dayanne Sousa, para o Pnud
A chegada da energia elétrica a Nossa Senhora de Fátima, comunidade da zona rural de Manaus, poderá transformar em exportadores os plantadores de cupuaçu que antes vendiam a fruta em feiras da capital amazonense, sem processamento. A instalação de eletricidade por meio do Luz para Todos permitiu que fosse criado um centro produtor que prepara e congela a polpa da fruta.
Nossa Senhora de Fátima fica numa das regiões mais pobres do município, a unidade de desenvolvimento humano Cidade Nova. Em 2000, 60,29% da população local vivia com menos de meio salário mínimo por mês — a quinta maior proporção de pobres de Manaus. O IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros) era de 0,696, o 12º pior da capital, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano em Manaus.
Uma parcela importante da renda das 106 famílias do local vem do cupuaçu, abundante da região. Porém, por falta de condições de beneficiamento e armazenamento, os produtores reclamavam que boa parte da colheita estragava e era desperdiçada, conta o representante da prefeitura no Fórum de Ações Integradas do programa, Cláudio Castro.
Com a chegada da rede elétrica, em 2006, os técnicos do Ministério de Minas e Energia, por meio de um projeto apoiado pelo PNUD, o Ações Integradas, avaliaram com os moradores uma nova forma de gerar renda para a comunidade. Há sete meses, foi criado o Centro Comunitário de Produção de Nossa Senhora de Fátima, hoje equipado com frízeres, despolpadeira elétrica e equipamentos de ventilação, e que também atende a produtores de comunidades vizinhas, como Nova Esperança, Agrícola da Paz e São Sebastião.
Agora, já está em negociação a exportação da polpa congelada para empresas norte-americanas, além de um contrato de fornecimento para a merenda escolar da prefeitura de Manaus, segundo o coordenador do Luz para Todos no município, Robson de Bastos. “Geramos renda para uma comunidade que desperdiçava sua cultura”, diz Cláudio Castro.
O centro comunitário tem capacidade para produzir 450 toneladas de polpa de cupuaçu por ano, estima Castro — atualmente, são 12 por ano. Como os produtores ainda estão se organizando administrativamente, a produção ainda não atingiu todo esse potencial. O quilo da polpa é vendido por entre R$ 3 (época de safra) e R$ 10 (entressafra), de acordo com o representante da prefeitura.
Os planos de Nossa Senhora de Fátima incluem, além de exportar polpa, explorar outras potencialidades do cupuaçu, como o caroço (usado em diversos produtos de beleza e para fazer chocolate). Além disso, planeja-se trabalhar com o despolpamento de outras frutas, como açaí e buriti.
Francisco José da Silva, responsável pelas ações integradas do Luz para Todos no Amazonas, aponta outras conseqüências da chegada da energia elétrica à região. O posto de saúde local só agora pode oferecer tratamento odontológico e armazenar mais adequadamente os medicamentos. Além disso, estuda-se implantar um projeto de ensino à distância, como forma de enfrentar as dificuldades do sistema de educação.
Fonte: Envolverde/Pnud
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