Metade do século XIX, décadas de 1850 e 1860, Fortaleza começa a ganhar força na economia do Ceará. Nessa época, na opinião dos historiadores, a Capital também desperta para sua vocação econômica: o comércio. Na região onde hoje está instalado o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, o comércio fortalezense desponta para o mercado internacional impulsionado pela instalação de grandes companhias exportadoras e importadoras. Paralelamente, as praças do centro histórico (como Praça do Ferreira e Waldemar Falcão) tornam-se os principais pontos de nucleação comercial e da sociabilidade urbana. O historiador e doutorando em História pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Antonio Luiz Macedo e Silva Filho, explica que, a partir de 1850, Fortaleza passa a ter destaque econômico e um comércio mais pungente. "Antes, a cidade se limitava a atividades burocráticas e administrativas por ser a capital da província. Não quer dizer que antes não havia comércio em Fortaleza, mas ele era incipiente e consistia na troca de mercadorias produzidas na própria província e por ela consumida", destaca. Antonio Luiz explica que as exportações de algodão, na metade do século XIX, inseriram o Ceará no "jogo de trocas" do mercado internacional e foi uma espécie de alavanca propulsora do comércio local. "Esse boom de exportação do algodão, motivado pela guerra da secessão nos Estados Unidos, provocou um extraordinário incremento do comércio fortalezense, sobretudo exportador e importador. Outros tipos de comércio cresceram na esteira desse negócio", acrescenta o historiador, professor de História da Universidade Federal do Ceará (UFC) e autor do livro Fortaleza Belle Époque, Sebastião Rogério Ponte. Segundo Sebastião Ponte, enquanto na Praia de Iracema as grandes companhias trabalhavam com a exportação (principalmente de algodão) e importação, no entorno das praças do Centro, sobretudo a do Ferreira, desenvolvia-se o comércio lojista. "Esse passou a atender os anseios pelos produtos importados, com destaque para os do mundo moderno europeu. Multiplicavam-se as lojas com produtos finos como tecidos, perfumes, chapéus, sombrinhas e bengalas e também tabacarias e farmácias", diz. A maior circulação de dinheiro na economia proveniente da expansão da atividade comercial e a conseqüente ampliação da arrecadação de tributos contribuíram para mudar o perfil urbanístico da cidade. Na segunda metade do século XIX e início do XX, informa Sebastião, começam a surgir majestosas edificações e importantes estruturas urbanas, entre as quais a Assembléia Provincial (em 1871, hoje Museu do Ceará), o Passeio Público (1880) e o Cine Majestic (1917). Até a década de 1920, explica Ponte, o Centro de Fortaleza também era a principal área residencial da cidade. "Nas edificações, as lojas funcionavam no térreo e as famílias (donas desses mesmos negócios) geralmente viviam no andar de cima", relata. O historiador Antonio Luiz acrescenta que até os anos de 1940 e 1950, o Centro aglutinou as atividades de comércio e serviços em Fortaleza.
Fonte: www.opovo.com.br
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