Guálter George – Jornalista é editor-adjunto de Conjuntura do O POVO (Fortaleza – Ceará).
A idéia é analisar o conteúdo da entrevista de Arnaldo Jabor ao O POVO e tentarei ficar preso a ele. Apesar de que, as declarações do ex-cineasta apenas reforçam os infelizes conceitos pré-concebidos que há tempos ele expõe nos seus textos, especialmente quando se aventura pela análise política. Definitivamente, falta-lhe equilíbrio para assumir a condição de cronista do cotidiano político brasileiro, falando ou escrevendo.
Jabor participaria melhor do debate do momento juntando-se a gente como José Simão e Tutty Vasquez, recorrendo aos dois exemplos mais notórios do gênero, para exercitar o que posso definir como "quase jornalismo". Ou seja, se aceitasse a idéia de que seus textos e declarações, para terem eficiência, não deveriam ser levados a sério.
Acontece que isso não lhe basta. Jabor parece fazer questão que o levemos em consideração, quer que sua visão do quadro atual, onde o PT e o governo Lula aparecem como introdutores da corrupção no Brasil, se integre ao caldeirão de análises que anima o ambiente político-eleitoral destes dias. Nesta perspectiva, é muito pouco aproveitável o que ele diz ou escreve.
Os conceitos de mundo e democracia que defende caberiam no boletim de um partido específico - o PSDB, no caso -, nunca, como parece ser pretensão dele que aconteça, ajudando a balizar o pensamento do cidadão, fundamentalmente aquele sem filiação ou concepção ideológica. Defender uma idéia pode, inclusive quando se pretende analista, desde que respeitando a existência de quem pensa diferente e, eventualmente, admitindo que lá existam argumentos a considerar.
A indignação de Jabor com o cenário político é a de todos nós. É, certamente, também a minha. Precisaríamos compor uma nação de insensíveis para não estarmos sofrendo com a sucessão de escândalos que há cerca de dois anos atinge o governo Lula. Ao analista, porém, cabe mais do que apenas sofrer. É tarefa dele explicar as coisas, dizer porque acontecem, buscar as origens, esforço que não há na abordagem do ex-cineasta, nos seus textos ou entrevistas. Inclusive a que este artigo acompanha.
O que faz Jabor, então? Sua opção simplória é por trazer tudo ao momento atual e atribuir 100% do que acontece hoje ao governo de hoje. Um erro crasso de perspectiva, que alguém com larga militância política e a mente de um contador de histórias não se pode permitir. Quando o faz, como ele o faz atualmente, deve-se descartar a hipótese de desconhecimento. O móvel da escolha certamente é outro e passa ao largo do interesse coletivo.17/10/2006 - "A esquerda sou eu"
17/10/2006 - A defesa de uma democracia tosca
Fonte: Jornal O Povo
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